janeiro 10, 2007


















PECADO

Nas aldeias antigas, as mulheres do campo
esperavam o princípio da tarde para correrem
no meio das searas, em busca de uma clareira
onde se pudessem despir, para que o sol,
descendo à terra, as pudesse possuir. O fogo
que nascia dos seus lábios pegava-se à erva,
e durante um instante toda a seara ardia,
sem fogo nem fumo, apenas com o desejo
que se soltava da sua boca, e ia apagar o sol,
nas tardes em que a noite caía mais cedo.

Espreitei essas mulheres quando voltavam
das searas, e nos seus olhos traziam um cansaço
de amor. Acompanhei-as às suas casas, e vi-as
deitarem-se contra a parede, olhando os seus
rostos no espelho que as velhas seguravam.
Tinham no rosto um princípio de melancolia;
mas diziam-me que a noite resolveria tudo,
quando a sua cabeça se enchesse de sonhos.
«Que queres daqui?» perguntavam-me. E eu
pedia-lhes que me guardassem a imagem
do espelho, em que a eternidade se dissipa,
como o seu sorriso no rescaldo do prazer.

(Nuno Júdice)

29 Comments:

Blogger frog said...

muito bom...palavras para kê...prosa a jorrar prazer e desejo...

Bô tarde Inhica

10 janeiro, 2007 12:33  
Blogger luikki said...

lindo!

10 janeiro, 2007 12:41  
Blogger Montenegro said...

"...no rescaldo do prazer".

Nuno Júdice tem textos que... não sei qualificar, faltam-me adjectivos.

Sou fã de muitos deles.

Beijos e obrigado por relembrar-me este texto.

10 janeiro, 2007 13:28  
Blogger Didas said...

O sol?! E não andava lá de certeza nenhum pastor alemão?

10 janeiro, 2007 13:37  
Blogger robina said...

Tá é uma beka de vento, não? :-)))

Olá!

10 janeiro, 2007 13:41  
Blogger Kaos said...

O fogo que arde sem se ver do Camões.
bjs

10 janeiro, 2007 15:11  
Blogger Mano 69 said...

O Seara anda por aí? Então era o gajo que andava sempre a querer montar as ceifeiras debulhadoras! FDP do Seara que não utiliza meios de protecção para não apanhar trigo por joio...

E «(…)deitarem-se contra a parede,»? O Parede também me saiu melhor que a encomenda… O gajo está sempre á espera que um quadro se venha pendurar no seu prego.

Isto da poesia e dos seus múltiplos significados ainda há-de acabar mal.

10 janeiro, 2007 15:12  
Blogger Pseudo said...

Isto é um bocado pornográfico, rapariga!

Mas até eu gostei deste poema, sabes? Podes publicar mais destes :)

10 janeiro, 2007 15:58  
Blogger Inha said...

Boas tardes a todos!:)

Soris por não estar aqui, mas (in)felizmente nesta altura do ano é caso para dizer que estou f....

Pronto, já disse!


;)

10 janeiro, 2007 16:04  
Blogger Inha said...

Olá, Sapico!:)


Então não?

;)

10 janeiro, 2007 16:06  
Blogger Inha said...

Eu adorei, Luikki!:)

10 janeiro, 2007 16:07  
Blogger Inha said...

Montenegro, isto parece-me um quadro...;)


BeijInha e espero publicar sempre coisas do teu agrado!:)

Obrigada.

10 janeiro, 2007 16:08  
Blogger Inha said...

Didas!Lollllllll


Má!

:P

10 janeiro, 2007 16:09  
Blogger Inha said...

Robinita, está de tal ordem que o cheirinho a fenos chega até ao Bosque!:)


*

10 janeiro, 2007 16:10  
Blogger Inha said...

E sem fumo, Kaos, e sem destruição.


BeijInha

10 janeiro, 2007 16:11  
Blogger Inha said...

Mano!


GARGALHADAS!

LOLLLLL

Tu não te desgraces, pá! Aa tuas "análises" literárias ainda vão ser a tua perdição!!!

(e a minha)8-)

10 janeiro, 2007 16:14  
Blogger Inha said...

Pseudo, minha boa amiga, isto é hardcore. Mais porno que isto só mesmo um filme de "capa/espada" (salvo seja, senão ainda me acusam outra vez de castradora) protagonizado pelo Errol Flint, topas?


Para tu gostares do poema... já significa alguma "coisa", que não muito dada a poesias, que eu sei!

;)

10 janeiro, 2007 16:18  
Blogger Pseudo said...

Ainda cá voltei (é o que dá darem-me 30 minutinhos de folga qd devia estar a fazer algo em prol da humanidade): Não estaria o Nuno Júdice a falar de ti e coiso e tal?

10 janeiro, 2007 16:19  
Blogger Inha said...

E agora, com licença, vou até ao andar de baixo, que tenho um AP de luxo para negociar.;)

10 janeiro, 2007 16:19  
Blogger fresquinha said...

A mim cheira-me a frangos. Da Guia. Mas tenho mais uma vez que concordar com o Mano na história das ceifeiras encostadas à parede, com espelhos e tudo. Os espelhos são de tecto ? Tectónicos ... E pensei no Ceregumil que era um xarope que eu tomava em pequena (já fui pequena) e sabia a Vinho do Porto. Daí a minha triste sina. Adiante ... gostei mesmo muito do texto. Embora a reforma agrária me dê muitas alergias. Obrigada por este momento de inspiração bucólica e sado-masoquista. Isto de ver ceifeiras por espelhos é muita ceifa junta.

10 janeiro, 2007 20:40  
Blogger 1313 said...

são belíssimas, as palavras do nuno.

11 janeiro, 2007 01:03  
Blogger João C. Santos said...

belas as palavras com que nos delicias...

"Tinham no rosto um princípio de melancolia;
mas diziam-me que a noite resolveria tudo,"

11 janeiro, 2007 03:35  
Blogger Inha said...

Pseudo, tu estás a insinuar que o Nuno Júdice me anda a espiar?...


8-)


8-)

11 janeiro, 2007 14:56  
Blogger Inha said...

Fresquinha!


GARGALHADAS!

Isso explica muita coisa...


lolllllllllllllllllllll

11 janeiro, 2007 14:58  
Blogger Inha said...

Então não são, 1313? Só são!

;)


*

11 janeiro, 2007 14:59  
Blogger Inha said...

Ainda bem que gostas, Joca. Aliás, como é que TU não havias de gostar?


BeijInha

11 janeiro, 2007 15:00  
Blogger fresquinha said...

Explica-te !


Hoje não se faz nada ???

12 janeiro, 2007 16:24  
Blogger Inha said...

Então não se faz?

Porra! Tenho um relatório para apresentar na 2ª feira de manhã, ainda estrmunhada e com o cabelo por pentear, e tu estás a insinuar que aqui não se faz nada?

:P

12 janeiro, 2007 16:52  
Blogger fresquinha said...

O que me preocupa mais é ainda estares estremunhada e despenteada na segunda feira ou seja, daqui a 48 horas. Queres ajuda ? Passa para cá metade.:-)

Gandas vidas !

13 janeiro, 2007 02:25  

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